sexta-feira, 11 de maio de 2012

Motivação


Às voltas com alguns pensamentos que me incomodam, quando o assunto é motivação, veio-me um texto de Mauricio Louzada, um palestrante e consultor de empresas.

Conta ele: "Aconteceu há duas semanas. Na segunda-feira logo no início da manhã, embarquei em um táxi no RJ, sentei no banco da frente e imediatamente algo me chamou a atenção: colado no porta-luvas à minha frente, estava um lindo retrato de três crianças sorridentes e uma mamãe coruja.

- É minha família - foi explicando o taxista - A gente se balança todas as noites.

Aquela afirmação me pareceu um tanto estranha, e deixei transparecer tal estranheza em meu olhar: o que será que o taxista queria dizer com aquilo? Ele foi logo explicando:

- Construí um balanço de madeira no fundo do quintal, e sempre que chego em casa, no início da noite, a gente se balança. Primeiro meus filhos sentam no balanço e os empurro, depois minha mulher, e por último eu. Eles me empurram e assim a gente fica, conversando, balançando e comendo bolo de chocolate.

Entendi o por quê daqueles lábios tão sorridentes na foto. Entendi que deveríamos nos balançar mais com as pessoas que amamos. Lembrei que um pequeno pedaço de madeira, algumas cordas e uma árvore têm um valor inestimável quando estamos ao lado das pessoas que realmente fazem diferença em nossas vidas.

Gastamos longas horas no trabalho, nos dedicamos com unhas e dentes aos projetos da empresa, nos envolvemos com compromissos intermináveis para discutir o futuro do nosso departamento, mas temos pouco tempo para nos balançar.

Esquecemos, com o passar do tempo, a verdadeira razão do nosso trabalho: proporcionar qualidade de vida, conforto, educação e crescimento para estas pessoas que dividem conosco a viagem da vida. E então, por nos dedicarmos tanto aos meios de conseguir dinheiro e sucesso, esquecemos para que serve tudo isso.

Lembrei que era segunda-feira, e que a maior parte das pessoas estava de cara amarrada, e que muitos tinham passado pela "Síndrome Pós-Fantástico" na noite anterior: aquela sensação de depressão muito comum quando o Zeca Camargo fala ˜Boa Noite˜. Não era o caso do taxista. Estava alegre, animado e feliz. O trabalho não é um peso quando descobrimos que, a partir dele, podemos desfrutar momentos especiais, dar qualidade de vida e atingir metas com as pessoas que amamos.

Sempre me perguntam em entrevistas para a mídia ou em empresas onde presto consultoria: qual o segredo da motivação? Como manter as pessoas envolvidas e engajadas com o propósito de seus departamentos e com a missão da empresa?

Talvez a resposta esteja em dar ao trabalho um sentido diferenciado, mostrar que ele nos dá tranquilidade para construirmos um balanço no fundo do quintal, e lá contarmos as novidades e comemorarmos com nossas famílias as verdadeiras conquistas: o filho que foi artilheiro do campeonato da escola, a filha que aprendeu sua primeira receita de bolo de chocolate, a esposa que foi promovida no banco onde trabalha e o marido que bateu um novo recorde de vendas.

Então balançando pra lá e pra cá enquanto comemos o mais gostoso pedaço de bolo que já existiu (mesmo com a massa encruada pela inexperiência da pequena mãozinha que o preparou), descobriremos que o trabalho é uma ferramenta para realizarmos nossos sonhos.

- Sua história é linda - eu disse para o taxista - daria uma bela reportagem sobre qualidade de vida no Jornal Nacional.

- Já pensou a Fátima Bernardes contando minha história? - indagou o taxista.

Será que ele não sabia que agora quem apresenta o JN é a Patrícia Poeta? Não, ele não sabia. Afinal, enquanto assistimos o Jornal Nacional, ele e sua família estão se balançando e comendo bolo de chocolate... "

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