segunda-feira, 22 de outubro de 2012

Motivação - Quem é dono de quem?


Outro dia ouvi alguém dizer: "Motivação é dinheiro na mão". Engraçado... Conheço tantas pessoas com muito dinheiro, e que estão pouco motivadas para a vida. Conheço tantas outras que estão sempre no limite de seus orçamentos mensais, mas continuam motivadas e prontas para dar o seu melhor...

É que existe uma confusão na cabeça das pessoas. Poucas entendem que falta de dinheiro pode desmotivar, mas que muito dinheiro não é obrigatoriamente sinônimo de motivação. Responda-me com toda sinceridade: se uma pessoa está descontente com seu trabalho, em um ambiente onde os relacionamentos são ruins, a cobrança é grande e o reconhecimento inexistente, será que é um aumento que irá fazer esta pessoa ter uma vontade incontrolável de trabalhar e alcançar os objetivos da empresa? É claro que não...

É bem verdade que, por outro lado, o dinheiro e uma remuneração adequada são muito importantes, porque ninguém consegue se concentrar em um trabalho pensando em como vai sobreviver até o final do mês. Além disso, uma remuneração adequada também é uma forma de reconhecimento.

Mas precisamos derrubar a crença errada de que é o dinheiro é o que motiva. O que realmente nos faz sair do lugar, realizar um trabalho invejável e alcançar voos mais altos é uma energia que vem de dentro. Mobilizar esta energia é uma arte e poucos líderes sabem fazê-lo.

Mobilizar esta energia passa por estimular as pessoas a descobrirem algumas coisas importantes:

1) Todos devemos ter uma missão

Assim como as empresas possuem uma missão, todos nós devemos saber qual é a nossa. Por que saímos para trabalhar todos os dias? Queremos só pagar nossas contas e estamos contribuindo com nossa parte, reconhecendo-a como essencial nos resultados que a empresa pretende atingir? E mais: qual nossa missão para construção de uma sociedade mais justa? Como estamos fazendo a diferença neste mundo?

2) Somos insubstituíveis

Outra crença errada: ninguém é insubstituível... Desculpe discordar, mas quem pode me dizer que substituiria Einstein, Madre Tereza, Gandhi, Ayrton Senna, Picasso, Beethoven ou Os Beatles?

Cada um de nós é único, e exatamente por isso, insubstituível. Mas para que as pessoas que convivem com a gente percebam isso precisamos dar o nosso máximo. Buscar dentro do nosso coração a força motriz que nos impulsiona na direção do melhor que podemos ser sem se preocupar em impressionar ninguém. Alcançar esta consciência é um dos passos para se atingir o "Ponto de Transição" que nos leva de pessoas comuns a pessoas extraordinárias.

3) Recompensas são consequências e não causas

Quando damos o nosso melhor, e assim mostramos que somos capazes de surpreender, é natural que o reconhecimento aconteça, simplesmente porque as empresas não querem (e não podem) perder grandes talentos.

Quanto custa para uma empresa substituir um profissional ou correr o risco de perder alguém que realmente faz a diferença? Muito caro... Muito mais caro do que um aumento considerável para manter este profissional motivado em seu quadro.

Mas perceba que neste caso, o dinheiro é consequência e não a causa que gerou a motivação. Ele é resultado do seu esforço não medido para realizar sua missão, de se fazer perceber como alguém insubstituível e de mudar sua forma de ver seu trabalho e o mundo. E então, quando contrariar discursos padronizados como "Motivação é dinheiro na mão", você perceberá que não precisará mais se preocupar com isso.

Quando descobrirmos que o reconhecimento não é a causa, mas o resultado do nosso trabalho, poderemos olhar para o dinheiro e dizer bem alto para ele:

- Entendeu quem é dono de quem?

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